A Faculdade Evangélica do Paraná,
sediada em Curitiba, ampliou seu campus, que agora
conta com um novo prédio de dois andares e 1660
m² de área construída. Iniciada
no final de dezembro de 2003 e entregue no início
de março deste ano, a obra foi desenvolvida
no sistema steel frame , executado pela Construtora
U.S.Home Brasil, sob responsabilidade do engenheiro
Mauricio Malafaia.
Enfrentando obstáculos como as fortes chuvas,
o prédio foi concluído no prazo de 70
dias. "A velocidade de construção
foi um dos fatores que nos levou a optar por este sistema”,
afirma o Dr. Egon Treml, da diretoria da Faculdade
Evangélica. "No sistema convencional, de
alvenaria, não teríamos o prédio
pronto para o início do período letivo".
O novo edifício abriga uma clínica ele
fisioterapia, em que os estudantes prestam atendimento
ao público através do Sistema Único
de Saúde (SUS).
O steel frame
O steel frame é um sistema baseado
na pré-montagem de segmentos ele painéis
metálicos, que após unificados compõem
a base das paredes de uma edificação,
as quais recebem posteriormente os outros elementos
que constituem o sistema, como OSB, lã de vidro,
barreira de umidade, gesso acartonado, etc. O steel
frame é um sistema de construção
a seco, pois minimiza significativamente a necessidade
ele utilização de água para preparação
de componentes como concreto, argamassa, etc. Suas
características são apropriadas tanto
para instalações comerciais como residenciais.
Esse sistema se baseia em estruturas ele aço,
mas difere da maioria dos prédios em estrutura
metálica que há muito tempo são
construídos
no Brasil. Nessas obras mais freqüentes, diferentemente
do que ocorre em steel frame a estrutura é dimensionada
a partir elo conceito "viga-pilar” como em concreto
armado. "Nesta concepção, a laje
descarrega as cargas em vigas, que descarregam em pilares,
que são elementos com cargas concentradas e
que devem descarregá-las no solo, havendo então
necessidade de fundação profunda na maior
parte dos casos. Nestes prédios se utilizam
perfis metálicos de espessura bastante superior à utilizada
no steel frame e sem tratamento com zinco.
Por se tratar de elementos muito espessos e pesados,
não pode haver pré-fabricação
e utilização de processos de linha de
montagem", explica Malafaia.
| No sistema
de produção industrializado que é o steel
frame, a estrutura de aço galvanizado é interligada
por parafusos autobrocantes. Assim, são
formados painéis e fica garantida a sustentação
para que se apliquem grandes esforços. O
edifício adquire um peso próprio
muito inferior ao da alvenaria ou dos prédios
em estrutura metálica pesada, e as cargas
não são concentradas em pilares,
mas sim distribuídas linearmente pelo perímetro
das paredes estruturais. |
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A estrutura de aço
galvanizado interligada nos parafusos autobrocantes |
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Painéis
Apesar de popularizado como steel frame ,
ou simplesmente frame o nome
exato do sistema é light gauge steel
frame, que significa painéis ou
quadros metálicos de baixo calibre. Trata-se
de painéis fabricados com perfis em aço
galvanizado, com espessuras entre 0,84mm e 2,5mm
e larguras entre 90mm e 300mm.
Estes painéis metálicos, para compor
uma parede em si, recebem externamente chapas industrializadas
de madeira, conhecida como OSB. Para proteger o
OSB da umidade utiliza-se um tecido difusor de
umidade conhecido como Tyvek Home Wrap. De todos
os produtos usados para o steel frame ,
o OSB foi o último a ser produzido no Brasil.
Há apenas quatro anos a Masisa do Brasil (única
fabricante nacional do painel) produz o Masisa OSB
Home, utilizando tiras de madeira. O produto serve
como vedação e contraventamento do
sistema estrutural. |
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Os painéis são fabricados com perfis em aço
galvanizado

O painel com tiras de madeira é protegido contra ataques de cupins
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O engenheiro da Masisa, André Morais, explica
que o painel é estrutural com tiras de madeira
100% de pinus, orientadas em três camadas perpendiculares,
o que aumenta sua resistência mecânica
e rigidez. Essas tiras de madeira são unidas
com resinas e prensadas sob alta temperatura. Além
disso, o produto está protegido contra ataques
de cupins por 10 anos.
Entre as vantagens dos painéis OSB estão
a alta resistência ao arranque de parafusos e
pregos, assim como físico-mecânica. Têm
alta estabilidade dimensional e resistência a
impactos. Não têm espaços vazios
em seu interior nem problemas de delaminação
e sim qualidade consistente e uniforme e espessura
calibrada. São fáceis de trabalhar nos
processos de usinagem de topo e superfície,
têm diversidade de aplicações,
oferecem várias possibilidades de acabamento
e são ecologicamente corretos, Além do
painel OSB para o fechamento externo, há outras
opções, como as placas cimentícias. "A
placa cimentícia é uma opção
de fechamento externo e que deve receber acabamento.
A questão é que elas podem não
ser estruturais e sim chapas de cimento aglomerado
com celulose. A resistência é apenas de
flexão e não de tração,
o que pode, no sistema steel frame, resultar
em rachaduras ou fissuras tanto no meio da chapa como
nas juntas, e isto danifica a imagem do sistema construtivo
como um todo", explica André Morais. "Existem
também cimentícias estruturais que, na
fabricação do aglomerado de celulose
e cimento, recebem tela de reforço de fibra
de vidro, deixando as chapas com resistência à tração.
A grande dificuldade é que estas chapas ainda
têm questões técnicas a serem respondidas,
pois não estão totalmente resolvidas".
Além disso, dados do mercado indicam diferenças
de preço significativas entre essas opções,
sendo os painéis OSB mais baratos.
"No steel frame temos a possibilidade
de fabricar os painéis metálicos na indústria
chegando ao ponto de podermos fixar também os
painéis externos, lã de vidro, janelas,
molduras, elétrica, hidráulica e às
vezes até a chapa de gesso acartonado formando
um segmento de parede já semi-pronto que geralmente
são unificados na obra para ai receberem os revestimentos
externos que acabam 'maquiando' a pré-montagem
da edificação", sugere Mauricio
Malafaia.
| Revestimentos O
revestimento de fachada de uma obra em steel
frame pode ser desenvovido com qualquer
material escolhido pelo proprietário. "Tendo
o aço perfilado conforme a qeometria
necessaria os painéis OSB, a lã de
vidro, o gesso acartonado e um difusor de umidade,
podemos construir qualquer estrutura com até oito
pavimentos, com os revestimentos externos que
o cliente deseja: tijolinho a vista, reboco,
grafiato, pastilha, etc. No entanto damos preferência
para a utilização de revestimentos
vinílicos como o siding utilizado
na obra da Faculdade Evangélica do Paraná,
por exemplo”, explica Malafaia. |
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Não há diferenças
estéticas entre obras em alvenaria e em steel
frame , como esta. |
As paredes internas
de uma construção em steel frame são
revestidas com gesso acartonado que, combinado com
a lã de vidro, garante o desempenho termo-acústico.
As chapas de gesso acartonado são materiais
bastante difundidos no País, sendo três
os grandes fabricantes desse tipo de produto (Knauf,
Placo e Lafarge), que há 10 anos vem sendo divulgado
com muito sucesso na opinião de Malafaia.
Como ocorre em boa parte dos projetos executados pela
U.S.Home, na obra realizada para a Faculdade Evangélica
do Paraná a Knauf do Brasil foi quem forneceu
o gesso acartonado. Para compor o piso sobre a laje
- feita a partir de substrato base de OSB - foi utilizada
a chapa Fiberock, um produto USG - United States
Gypsum , que está sendo comercializado
pela Knauf e que se caracteriza pelo uso de gesso reciclado
prensado e é utilizada em revestimentos externos
e pisos para obras em steel frame e também
em áreas úmidas. "Esse tipo de material
pode servir de substrato para assentamento de cerâmicas
diretamente sobre ele", explica o engenheiro civil
Roberto Albero, da Knauf.
Sobre as chapas de gesso acartonado, é possível
utilizar pintura, papel de parede, etc. Tanto em relação
aos revestimentos externos quanto aos internos, não
há diterenças entre uma obra em steel
frame e uma em alvenaria. Em ambas é possível
utilizar toda a sorte de produtos.
"Conseguimos utilizar processos industriais de fabricação
e o produto final não parece o pré-moldado
convencional Na verdade ninguém consegue diferenciar
um edifício feito com este sistema ou em alvenaria",
destaca Malafaia.
Vantagens
São inúmeras as vantagens de uma obra
executada em steel frame . Entre os destaques
estão facilidade e rapidez na construção,
já que exige um tempo quatro vezes menor que
alvenaria. Além disso, o sistema conta com reduzido
desperdício de material, isolamento termo-acústico,
ausência de mofo, bolor e fungos, economia de
energia devido às propriedades dos materiais
e utilização de insumos produzidos a
partir de recursos naturais renováveis, recicláveis
e/ou com exploração controlada.
Dentre essas vantagens, o conforto termo-acústico
ganha grande destaque. "Na obra de alvenaria a acústica
encontra uma única barreira: argamassa-tijolo-argamassa,
por onde o som passa. No steel frame as barreiras
são várias, como acabamento, o OSB, lã de
vidro, gesso arcartonado, etc", explica André Morais.
Em relação ao clima, o engenheiro revela
que para temperaturas baixas, o steel frame proporciona
muito mais conforto que a alvenaria. “Quanto à questão
climática, o sistema em alvenaria é mais
indicado para clima quente-árido. Em climas quente-úmido
ou frio-úmido, a alvenaria sofre patologias com
as quais já nos acostumamos a conviver: bolor,
mofo, infiltrações, rachaduras, etc. No
Brasil a alvenaria acabou se tornando popular, mas pela
ausência destas patologias e conforto interno que
proporciona, o sistema mais indicado para grande parte
do território nacional é o steel frame ”.
Outras vantagens são a precisão de execução (já que
o projeto em alvenaria só "se resolve" na execução
da obra),qualidade industrial, menor demanda por manutenção e:
sustentabilidade - o aço, que dá estrutura a esse sistema é o
material mais reciclado do mundo. Além disso, a durabilidade de uma
obra em steel frame pode ser ilimitada. "Como em qualquer outro
sistema construtivo, a manutenção é a peça chave
da durabilidade. Na verdade este sistema gera muito menos manutenção
que a alvenaria mas, quando ela for necessária, a rapidez com que for
executada vai ser diretamente proporcional a durabilidade do produto. Portanto,
uma residência em steel frame pode potencialmente durar muito
mais que uma em alvenaria", explica o engenheiro da U.S.Home.
Outro fator que se destaca é a quantidade de mão-de-obra necessária.
Uma construção em steel frame exige menos pessoal que
o sistema em alvenaria. Além disso, o engenheiro André Morais
explica que há um deslocamento do perfil do profissional que se capacita
mais facilmente para o novo sistema, que são os carpinteiros e não
os trabalhadores tradicionais de obras em alvenaria.
"Uma outra vantagem desse sistema é que, no Brasil, ele se adapta
ao que eu considero uma falha: os engenheiros e arquitetos dificilmente trabalham
juntos. Nesse caso, um projeto, arquitetônico, inicialmente pensado em
alvenaria, pode ser executado em steel frame . Ou seja, o sistema
não exige um projeto especial", destaca Morais. "Os sistemas
elétrico, hidráulico e de segurança também são
instalados com tranqüilidade, inclusive com mais facilidade que na alvenaria
devido ao uso de painéis e de paredes 'ocas' preenchidas com lã de
vidro".
O sistema steel frame também dispensa o uso de vários
instrumentos caros fundamentais na alvenaria, como as betoneiras. Ao invés
do uso desses grandes elementos, se usa itens mais portáteis como parafusadeira
automática, serra circular portátil, trena e outros materiais
básicos de carpintaria. Embora o custo do metro quadrado nesse sistema
seja equivalente ao da alvenaria, a maior rapidez da construção
a seco o torna mais competitivo levando-se em conta o custo total da obra. "Enquanto
uma obra de alvenaria cm 300 m² leva no mínimo dez meses para ser
construída, em steel frame são necessários cerca
de três meses de trabalho, gerando uma economia considerável em
mão-de-obra", assegura o engenheiro Malafaia. "Este sistema
requer que a empresa modifique toda a sua cultura construtiva. É um
mundo à parte. O processo que temos que ter em mente no steel frame é análogo à construção
de um carro, pois se trata de uma linha de montagem. Geralmente a empresa que
constrói em frame não utiliza outro sistema", conta ele.
Limitações
Dentre as poucas desvantagens do steel frame, uma das principais
está relacionada à quantidade de pavimentos possíveis. "Não
se pode construir, nesse sistema, no Brasil, prédios com mais de seis
pavimentos. Apenas alguns estados americanos permitem a construção
de prédios de até oito pavimentos, mas são exceções.
Essa limitação é algo que não deve evoluir para
mais de oito pavimentos, por causa da distribuição de carga nesse
tipo de obra. Inclusive devido à espessura da chapa de aço, que é pequena
demais para prédios mais altos. E também pela questão
de custo: para obras com mais de seis pavimentos o sistema tradicional metálico
sai mais em conta", explica Morais. Outro problema apontado pelo engenheio
da Masisa é que, no Brasil, a distribuição do mercado é problemática.
A ausência de revendas especializadas atrapalha as obras em algumas regiões.
Além disso, embora o Brasil disponha de profissionais com perfil adequado
para as obras em steel frame , o treinamento ainda é bastante
necessário, devido a cultura de construção em alvenaria
ser ainda algo muito evidente no País.
Histórico
Realizadas no Brasil desde o início da década de 90, as construções
em steel frame ganharam maior terreno no País há pouco
mais de dois anos, com o início da produção nacional do
OSB e de gesso acartonado. "Na verdade, sistemas de construção
desse tipo tiveram início nos Estados Unidos por volta de 1830 e desde
então vêm sofrendo melhoramentos. É um dos sistemas de
construção residencial mais utilizados do mundo. Na América
do Norte, responde por mais de 90% das construções residenciais. É muito
utilizado também na Europa. Ásia e oceania", conta Malafaia.
"No Brasil ainda estamos 'engatinhando', mas no Chile e Argentina, por
exemplo, esse sistema já é bastante popular. O importante é que
o steel frame já sinalizou no mundo inteiro uma tendência
de ser o mais eficiente e de meIhor custo benefício em construções
de até quatro pavimentos. Acredito que a popularização
do sistema no Brasil depende apenas do tempo, pois nossa cultura construtiva é ainda
fortemente voltada a alvenaria. que por se tratar de um sistema artesanal não
conseguirá sobreviver às exigências de um mundo moderno
e globalizado", prevê o engenheiro, mencionando que, hoje, no Brasil,
o steel frame é um sistema construtivo que consome aproximadamente
98% de materiais nacionais.
Também para o engenheiro André Morais a popularização
do sistema depende mais da cultura das construtoras do que do cliente final. “A
dificuldade da popularização do steel frame está em
quem executa as obras, porque estes sim têm uma cultura definida. Por
exemplo: o dry wall é um conceito que já está bem
estabelecido no mercado, porque foi feito um trabalho muito grande de conscientização
técnica”.
FICHA TÉCNICA
Projeto
Arquitetura: L+M Arquitetura e U.S.Home Brasil Construções.
Estrutural: Mauricio Malafaia e Jorge Luis Milek.
Elétrico/Hidráulico/Prev. Incêndio/Sistemas:
Wiring Tecnica
Construção: U.S.Home Brasil Construções
Ltda.
Sistema Construtivo: Light Gauge Steel Framing
Materiais / Fornecedores
Perfis Galvanizados Leves: Usiminas/Roll-For.
Painel OSB: Masisa do Brasil
Membrana Difusora: Dupont do Brasil (Tyvek Home Wrap)
Lã de Vidro: Saint-Goban
Parafusos: Autoperfurantes do Brasil
Gesso Acanonado: Knauf do Brasil
Siding Vinilico: Madex Ind. Plásticos
Ltda.
Janelas: Alumipiso
Portas: Eucatex
Fechaduras: Yale-LaFonte
Cabos: Conduspar
Int./tomadas: Leviton
Telhas: Certanteed / Roaf Tech
Concreto: Engemix
Painéis underlayment; USG (Fiberock)
Pisos azulejos: Eliane
Argamassas: Laticrete
Piso Vínilico: Fademac
Metais; Fabrimar
Tubos Sistemas: Amanco
Sistemas Fixação: Hilti do Brasil
Tintas: Sherwin Williams
Louças: Ideal Standard
Rodapés/vistas Madeira: Terra Nova |