Materiais
O painel de OSB adapta-se muito bem para a construção
de edificações residenciais. O
painel é um dos elementos dos sistemas
construtivos constituídos de frames (quadros),
aos quais é fixado para funcionar como
fechamento externo e reforço estrutural
para cargas verticais e horizontais (vento).
Os Materiais mais comumente utilizados para
os frames são: montantes de
madeira (95% das edificações residenciais
norte-americanas) e aço (ainda sem muita
penetração no mercado).
Este sistema construtivo pode empregar, além
dos materiais ainda pouco utilizados para edificações
residenciais, elementos tradicionalmente encontrados
em qualquer canteiro de obras do País,
como cimento, tijolos, madeira, aço e
telhas, embora a adoção de uma
etapa artesanal culmine quase sempre no gargalo
da produção, adicionando variáveis
incompatíveis com o cronograma físico
das demais etapas. Portanto, o uso de alguns
materiais tradicionais tem muito mais o intuito
de satisfazer o desejo do consumidor de que acrescentar
solidez à edificação (os
consumidores ainda vinculam solidez ao uso de
materiais tradicionais ou “pesados”).
Neste método construtivo, o OSB é utilizado
de várias formas:
Vigas I – a etapa de OSB pode servir
como a alma da viga I, enquanto as flanges podem
ser de madeira maciça.
Pisos – colocado em cima do vigamento,
o painel dá suporte para o revestimento
final.
Telhado – o painel serve de base
de fixação no caso de se utilizar
cobertura de telha shingles.
Fechamento de fachada – utilizado
no exterior structural sheating , ou
seja, fechamento externo estrutural.
A maioria dos fabricantes de OSB se baseia nas
especificações da APA (American
Plywood Association), que classifica o produto
para três usos: cobrimento para pisos,
paredes e telhados (APA Bated Sheating); laje
(APA Bated Sturd-I-Floor); e uso externo (APA
Bated Siding). Esse critério de classificação
foi estabelecido pelas seguintes características:
adequação estrutural, estabilidade
dimensional e durabilidade do adesivo.
O critério de desempenho de cada uma
das categorias foi estabelecido por códigos
norte-americanos de construção.
Códigos de desempenho
UCB (Uniform
Building Code™) for prefabricated wood I-joists,
1997.
AC14 (ICBO ES)
Acceptance Criteria for Prefabricated Wood Ijoists.
July, 2000.
IBC (International
Building Code ® ) Seção 2303.1.2
e R502.1 of de IRC (International Residence Code™)
2000.
ICBO PFC-5317.
Performance Bated Ijoist.
Uma segunda classificação com
respeito a exposição do painel às
intempéries categoriza-os em dois grupos:
Exterior: fabricado com cola à prova
d'água, pode ser utilizado permanentemente
em ambientes úmidos ou expostos ao tempo.
Exposição 1: fabricado
com cola à prova d'água, mas deve
prever algum revestimento. Aproximadamente 95%
dos painéis são fabricados com
esta designação.
Projeto
O projeto de uma edificação que
utiliza painéis como elementos constituintes
deve seguir algumas premissas para que a vantagem
da modulação seja aproveitada ao
máximo. Devem ser levados em consideração:
as dimensões da edificação
para o melhor aproveitamento dos painéis;
a visualização do sistema de transição
de cargas; as limitações estruturais
e noções básicas da metodologia
de montagem do sistema.
A planta do pavimento mostra bem a importância
do projeto no aproveitamento das vantagens do
sistema. Uma planta bem planejada contemplará a
maior área com a quantidade mínima
de parede externa. Exemplo: uma construção
de 120m² pode ter 2m x 60m, o que daria
124m² de parede externa, ou pode ter 8m
x 15m, o que daria 46m de parede externa, ou
seja, mesma área útil com menor
quantidade de paredes externas.
O dimensionamento da estrutura é feito
a partir de alguns princípios.
As ligações entre os apoios são
rígidas. Paredes previamente escolhidas
receberão as cargas axiais advindas das
lajes e do telhado e resistirão aos esforços
laterais do vento e peso próprio. As cargas
são transmitidas de forma linear das paredes
para a fundação, que distribuirá as
tensões de acordo com a capacidade de
suporte do solo.
As resistências dos elementos estruturais
são obtidas em tabelas de normas, obtidas
de ensaios das peças em diferentes condições
de carregamento e esforço, mas, geralmente,
o dimensionamento dos elementos do sistema é dado
não pelo desempenho mecânico à compressão,
mas pela área transversal mínima
de norma que garanta a estabilidade global da
edificação.
Manutenção
A manutenção é um dos tópicos
de maior importância em construções
secas. Como regra geral temos que ter em mente
que construção seca requer limpeza
a seco.
O sistema é constituído por vários
elementos orgânicos que podem se deteriorar
com o passar do tempo se utilizado de forma inadequada.
A utilização de líquidos
pouco densos e de fácil percolação
por substratos porosos na limpeza cotidiana do
imóvel deve ser restrita. O sistema foi
dividido em áreas molháveis e não-molháveis.
As áreas molháveis são bem
isoladas das demais.
Na parte externa geralmente são utilizados
materiais que não requerem re-pintura,
pois já vêm coloridos de fábrica
e apresentam grande durabilidade.
Se bem construída e bem utilizada, a
casa requer pouca manutenção. Em
alguns países existem construções
cujos elementos estruturais possuem mais de 300
anos.
Execução
As estruturas em frame (madeira ou
aço) podem ser executadas em escala ou in
loco . No sistema de frames de
madeira a estrutura é, quase sempre, executada in
loco devido a dificuldade de manipulação
(peso) de paredes pré-montadas. Portanto,
para esses casos, os materiais componentes são
entregues na obra e ali são utilizados.
Já as casas com frames de aço
normalmente são produzidas em seções
pré-fabricadas transportáveis.
Para melhor entendimento do sistema construtivo
em frames , apresenta-se a seguir um
exemplo passo a passo da construção in
loco em metologia plataforma (mais utilizada
recentemente) em madeira.
O sistema plataforma é composto basicamente
de quatro partes: alicerce, paredes, vigamento/laje
e cobertura.
A fundação deverá ser escolhida
em função das cargas de projeto
e do tipo de solo existente. As mais utilizadas
são as diretas: radier , sapata
corrida ou pilotis, cravados no terreno.
A transmissão das cargas verticais acontece
de forma não concentrada, o que torna
a fundação uma etapa bastante rápida
e mais econômica.
Neste exemplo foi utilizada fundação
do tipo radier.
O processo inicia-se com a marcação
do layout dos ambientes na plataforma (figura
3). Esta marcação é feita
com montantes de madeira dispostos horizontalmente,
chamados daqui para frente de barras horizontais.
Estas barras horizontais devem cobrir todo o
comprimento das paredes e devem ser selecionadas
por sua precisão dimensional. São
utilizadas para isto três camadas de barras
horizontais sobrepostas: a primeira (junto à plataforma)
chamada de barra inferior ( bottom plate )
e outras duas chamadas de barras horizontais
superiores ( top plates ). Esta nomenclatura é adotada
devido a disposição que estas barras
horizontais vão assumir no posicionamento
final da parede. As emendas da primeira barra
superior não devem coincidir com as da
segunda barra superior. As varras horizontais
inferiores podem ser ancoradas na fundação
de diversas formas: insertes metálicos
deixados durante a concretagem, chumbadores mecânicos,
chumbadores químicos, etc.
Após executado o layout dos ambientes
(chamado Laying out for framing ) começa-se
o processo de elaboração dos frames .
Os elementos básicos da estrutura das
paredes são: os montantes verticais ( studs ),
a barra horizontal inferior ( bottom plate ),
a barras horizontais superiores ( top plates ),
montantes verticais de desvio de carga ( jack
stud e king stud ) e as vergas ( headers )
que suportam asa cargas verticais sobre as aberturas.
A construção da parede inicia-se
pela marcação, a partir de uma
das extremidades, da posição dos
montantes nas barras horizontais inferior e superiores
utilizadas no layout. Devem ser marcadas as posições
dos montantes, linhas de centro das portas e
janelas e das paredes divisórias (figuras
5 e 8). Para o início da construção
da parede propriamente dita os montantes devem
ser pregados inicialmente às duas barras
horizontais superiores ( top plates )
na marcação previamente executada,
tarefa esta que é feita despregando-se
do layout (composto por três barras horizontais)
as duas barras superiores e procedendo com a
pregação. É neste momento
que são instaladas também as vergas
e os reforços de desvio de cargas ( header,
jack stud e king stud ). Após a fixação às
barras horizontais superiores a estrutura formada é erguida
para a fixação dos montantes à barra
horizontal inferior deixada junto à fundação
quando do despregamento das duas barras horizontais
superiores (figura 10). Os montantes são
fixados às barras horizontais por meio
de pregos.
Os cantos da edificação e as interseções
das paredes exigem arranjos especiais dos montantes
de modo a propiciar eficiente amarração
das paredes e assegurar superfícies para
pregação dos painéis externos
e internos (figura 5). Nota-se em todas as alternativas
que nos cantos e interseções sempre
há a formação de um espaço
para a pregação do fechamento interno,
formado por dois montantes convenientemente posicionados.
Todas as paredes seguem a mesma metodologia
de montagem e estas vão sendo posicionadas
na plataforma na ordem inversa de montagem, ou
seja, a última parede a ser erguida será a
primeira (contando de baixo para cima) na pilha
de paredes (figura 9).
Após serem erguidas as paredes são
provisoriamente contraventadas.
Em vãos muito grandes as vergas podem
ser reforçadas com uma chapa de aço
de 1mm de espessura para suportar as cargas dos
ambientes superiores (figura 12). |

Figura 1 - Disposição das paredes
na ordem de montagem.

Figura
2 - Paredes de steel-frame sendo
dispostas para montagem.

Figura
3 - Laying ou for
Framing: Disposição do layout dos ambientes.

Figura
4 - Fabricação das Vigas I com alma
em OSB e flange em madeira maciça.

Figura
5 - Configurações de canto de parede.

Figura
6 - Radier pronto servindo como plataforma
para montagem dos frames.

Figura
7 - Instalação do vigamento de suporte
da laje do primeiro pavimento.

Figura
8 - Marcação dos elementos da parede
no layout.

Figura
9 - Disposição dos frames do segundo pavimento já na ordem para o tilt-up (levantamento) das paredes.

Figura
10 - Tilt-up de uma parede lateral
estrutural (shearwall).

Figura
11 - Aspecto final das paredes já
posicionadas e intetravadas.

Figura
12 - Detalhe do brigding: elemento
responsável por distribuir carregamentos concentrados.

Figura
13 - "Paliteiro" do primeiro e segundo
pavimentos.

Figura
14 - Início da instalação das tesouras
pré-fabricadas.

Figura
15 - Estrutura sendo contravantada.

Figura
16 - Colocação da cobertura e barreira
de umidade.

Figura
17 - Colocação de esquadrias.

Figura
18 - Siding já instalado.
|